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O “clube dos meninos” da IA ameaça agravar a desigualdade de renda entre os sexos, alerta Rana el Kaliouby
A cientista de IA, empreendedora e investidora Rana el Kaliouby teme que a inteligência artificial corra o risco de se tornar mais um “clube dos meninos” exclusivo dentro do setor de tecnologia. Em discurso na conferência SXSW, em Austin, ela alertou que a falta de diversidade na IA poderia criar desvantagens econômicas significativas para as mulheres na área de tecnologia, com consequências de longo alcance.
“Acredito que a IA hoje é um clube de meninos. A diversidade não é o tema de conversa mais popular no momento, mas é extremamente importante porque a IA está gerando enormes oportunidades econômicas”, afirmou el Kaliouby no palco quando questionada se essa percepção era um mito. (O entrevistador apresentou uma série de manchetes do TechCrunch destacando startups de IA fundadas por homens para ilustrar o ponto.)

Créditos da imagem:SXSW (abre em uma nova janela)
El Kaliouby, que vendeu sua empresa de software de detecção de emoções, a Affectiva, em 2021, e agora atua como cofundadora e sócia geral da Blue Tulip Ventures, observou que três em cada quatro investimentos de sua empresa são em startups lideradas por CEOs mulheres.
“Eu não invisto *apenas* em mulheres”, esclareceu ela. “Mas procuro ativamente essas fundadoras para apoiá-las, seja por meio de investimento ou de outras formas, porque elas não estão recebendo as oportunidades que merecem e precisam.”
“Se as mulheres forem excluídas — porque não estão fundando essas empresas, não estão conseguindo financiamento e nem mesmo investindo nos fundos que apoiam essas empresas —, daqui a cinco ou dez anos olharemos para trás e veremos que ampliamos drasticamente a desigualdade econômica. Isso é algo que realmente me preocupa”, enfatizou el Kaliouby.
Seu comentário sobre a atual “impopularidade” das discussões sobre diversidade segue a redução dos programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) pelo governo Trump, uma tendência que posteriormente influenciou o setor de tecnologia. Essas mudanças afetam não apenas as práticas de contratação, mas também o desenvolvimento de produtos. Na IA, por exemplo, as empresas podem se sentir pressionadas a alinhar os resultados de seus modelos com as prioridades estabelecidas pela Casa Branca.
Para el Kaliouby, a falta de diversidade não se resume apenas a um potencial prejuízo econômico — trata-se também dos resultados finais e das inovações produzidas.
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