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Um homem americano enganou pessoas, arrecadando 10 milhões de dólares, ao usar inteligência artificial para manipular as paradas musicais.

Na era do streaming de música, a inteligência artificial não apenas transformou a forma como as músicas são criadas — ela também abriu caminho para novos tipos de fraude. Recentemente, Michael Smith, de 52 anos, da Carolina do Norte, se declarou culpado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York. Ele foi acusado de usar a IA para gerar milhares de canções e de coordenar com redes de bots para manipular as paradas de streaming, roubando mais de 10 milhões de dólares em direitos autorais nos últimos sete anos.
A abordagem de Smith era surpreendentemente sistemática: ele utilizava ferramentas de IA para produzir milhares de melodias simples e repetitivas a cada dia, depois as enviava para plataformas importantes como Spotify, Apple Music e Amazon Music. Para evitar acionar os sistemas de detecção de fraudes, ele não concentrava as reproduções em poucas faixas. Em vez disso, empregava milhares de contas automatizadas de bots para distribuir as reproduções entre centenas de milhares de canções geradas por IA.
Segundo os promotores, o esquema de Smith gerava cerca de 660.000 reproduções por dia, com uma receita anual em direitos autorais estabilizada em torno de 1,2 milhão de dólares. Como disse um comentário nas redes sociais: “Ele usou a IA para criar música e, depois, usou a IA para criar ouvintes — acabando roubando dinheiro real de artistas reais.”
Esse caso causou grande comoção na indústria musical. As plataformas de streaming costumam adotar um modelo de distribuição proporcional dos direitos autorais, no qual toda a receita é acumulada e dividida com base no número de reproduções. Cada dólar roubado por Smith vinha, na verdade, de músicos independentes e detentores de direitos autorais que possuíam públicos reais.
Trata-se da primeira condenação bem-sucedida nos EUA relacionada a fraudes em streaming com uso de IA. Agora, Smith enfrenta várias acusações, incluindo conspiração para cometer fraude eletrônica, e pode receber até cinco anos de prisão, além da perda de mais de 8 milhões de dólares obtidos ilegalmente.
À medida que ferramentas de geração musical por IA, como o Suno, se tornam cada vez mais acessíveis, as plataformas de streaming recebem dezenas de milhares de faixas criadas por IA diariamente. Esse caso não só serve como alerta para aqueles que buscam lucros rápidos, mas também obriga a indústria a enfrentar uma questão mais profunda: quando “canções inexistentes” são consumidas por “ouvintes inexistentes”, como deve ser repensada a base do valor da música digital?
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